Uso do esterco de vaca em culturas como milho e soja aumenta produção, melhora qualidade do solo e pode até combater pragas
Muitos produtores não sabem, mas uma vaca que dá 25 litros de leite produz cerca de 60 quilos de dejetos por dia. Se todas as vacas da fazenda forem somadas, a quantidade de esterco produzido diariamente é muito grande. Todo esse dejeto é, aparentemente, só sujeira, mas já existem tecnologias simples que transformam todo esse esterco em poderosos adubos. Os dejetos das vacas são ricos em nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, contribuindo para melhorar a fisiologia do solo e aumentar a produtividade das culturas. Produtores de milho e soja no Brasil que já usam os dejetos bovinos como adubos orgânicos tiveram aumento de 25% na produtividade e, em alguns casos, conseguiram controlar algumas pragas graças ao uso dos dejetos.
A primeira coisa que o produtor precisa fazer se quiser usar os dejetos do seu rebanho para melhorar a produção das culturas é analisar o solo e os componentes do dejeto. Só dessa forma será possível saber as necessidades do solo e determinar a quantidade de esterco que será usado para cada cultura. O dejeto pode ser aplicado de duas formas: separando a parte líquida da sólida ou de forma homogênea, usando os dois ao mesmo tempo. O que vai determinar a forma de utilização é o tipo de cultura que será cultivada. Segundo o pesquisador, a maioria das fazendas que já utilizam essa tecnologia só usa 30% do potencial de nutrientes que os dejetos disponibilizam, então ainda é preciso fazer muitas pesquisas para desenvolver tecnologias que explorem melhor o potencial dos materiais. O benefício ambiental se dá a longo prazo, com a melhora significativa dos componentes do solo.
O benefício que a gente consegue identificar no primeiro momento é a redução do consumo de fertilizante químico. Para se ter uma ideia, em uma fazenda com 50 animais nós vamos ter, por ano, cerca de 40 toneladas só de nitrogênio disponível. É só fazer a conversão em relação à ureia. Trabalhando com a parte sólida desse dejeto bem aplicada, a gente consegue melhorar a estrutura física e a composição do nosso solo, aumentando o perfil A (perfil de superfície) para facilitar a penetração da raiz e aumentar a produtividade por área — explica Alexandre Toloi, gerente de projetos da empresa , que investe neste tipo de tecnologia no Brasil há dois anos.
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