Método diagnóstico revela doença mesmo em amostras com baixas concentrações do patógeno
Considerada um problema sanitário importante nos países onde a ovinocultura é uma atividade consolidada, a brucelose prejudica a capacidade reprodutiva dos carneiros. O agente causador de infertilidade ataca preferencialmente os machos, comprometendo seriamente o sistema produtivo. Fruto da colaboração científica entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade da Califórnia, em Davis (EUA), uma técnica mais sensível para diagnosticar a doença está em processo de patenteamento junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. O método, recentemente publicado pela revista internacional Veterinary Microbiology, se baseia na amplificação do material genético da bactéria e viabiliza resultados bem mais específicos que os similares.
À frente da pró-reitoria de pesquisa da UFMG, o professor da Escola Veterinária, Renato Lima dos Santos observa que a principal vantagem desse novo modelo é que, a partir da sua implantação e generalização, a identificação de animais doentes será mais eficaz para nortear as medidas adequadas de controle. Na prática, muitos animais contaminados com essa enfermidade não desenvolvem nenhum tipo de sinal clínico. Sendo assim, os carneiros podem disseminar o patógeno dentro do rebanho sem manifestar alterações perceptíveis pelos criadores e veterinários.
Os procedimentos usuais são limitados em vários pontos. Parte dos esforços do grupo de pesquisa tem sido melhorar a eficiência do reconhecimento de animais portadores dessa infecção. A especificidade é importante também porque existem outros organismos causadores de brucelose em várias espécies domésticas com potencial para infectar o homem, que não é o caso da Brucella ovis, responsável pela brucelose ovina. Com os estudos, verificamos que a inovação identifica o agente com exatidão mesmo em caso de baixas concentrações — revela.
Presidente da Associação Brasileira de Patologia Veterinária, Santos diz que os trabalhos na área de doenças infecciosas interferentes na reprodução de animais domésticos criaram condições experimentais de obter amostras de sêmen, que é o principal veículo de contaminação da doença em questão e ainda de tecidos de animais portadores da Brucella ovis. A partir do acesso à tecnologia científica e material adequados, é possível promover uma comparação entre as metodologias. E a expectativa agora é aplicar os testes a campo em larga escala.
Uma vez estabelecidos esses parâmetros de praticidade de utilização da técnica nas condições normais, estará pronta para ser inserida na rotina de diagnósticos. Os números apurados até o momento se referem aos procedimentos experimentais de validação técnica. A segunda etapa, já iniciada, é para verificar o potencial do modelo no levantamento de dados epidemiológicos, contribuindo para o conhecimento em termos de distribuição geográfica da doença — conclui.