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Artigos : Confinamento de Ovinos
15/07

Para tentar atender esta grande procura, o confinamento de cordeiros e cabritos surge como um caminho eficiente e rentável, principalmente no sudeste, no centro-oeste e até mesmo no nordeste, pois esta prática aproveita melhor a capacidade de conversão alimentar dos animais, que é especialmente alta até os 120 primeiros dias de vida.

Essa ação também estabiliza a oferta de alimentos nas épocas mais secas do ano, e aumenta a proteção contra a contaminação por verminoses, liberando espaço para o rebanho de matrizes na propriedade.

Verena Bannwart Suaiden, criadora e confinadora, diretora do Projeto Frigorífico Margen Cordeiro Nobre, que atua em toda a cadeia e tem mais de 20 anos de experiência com ovinos, esclarece os motivos pelo qual adotou o confinamento: “demora muito para fazer uma terminação a pasto, o custo aumenta, o índice de mortalidade também, e você não consegue uma padronização. Confinando a gente encurta o processo, padroniza bem o produto e reduz o índice de mortalidade”, esclarece.

No entanto, o confinamento de ovinos e caprinos requer conhecimento, atuação intensiva sobre o rebanho e muito profissionalismo. Neste sistema não há perdão para o amadorismo e a improvisação. “Entre os que eu conheço, de cada 10 criadores que começaram 8 deixaram a atividade, e ainda saíram falando mal da ovinocultura”, lamenta Fernando Gottardi, proprietário da Cabanha Araçá e membro da Rissington Brasil. Fernando ainda completa: “eles não conseguiram ter sucesso porque teve gente que primeiro comprou os animais e depois foi ver se tinha estrutura na sua propriedade para criar, e isto, é óbvio, deu errado”. É bom deixar claro que Gottardi não desanima ninguém a começar, pelo contrário: “a atividade em si é muito lucrativa, e vale a pena fazer parte dela, mas o grande segredo para quem quer se dar bem é o profissionalismo. Se o criador quer começar a confinar, a primeira coisa a fazer é contar com apoio técnico. Aí a atividade dá certo”, explica.

Outro profissional que endossa a opinião de Gottardi é o zootecnista Mauro Sartori Bueno, pesquisador do IZ - Instituto de Zootecnia, em São Paulo. “Algumas pessoas não conhecem ovinos e acabam achando que deve cria-los como se cria boi... acham que é só largar no pasto e depois ir lá buscar, e não é assim... os animais exigem um cuidado maior”, enfatiza Mauro.



Confinando com sucesso...

Com o apoio de especialistas e criadores, dividimos as tarefas necessárias à estruturação de um confinamento bem sucedido, entre: gerenciamento, estrutura, nutrição, sanidade, genética, manejo e a comercialização. Nesta reportagem abordaremos estes tópicos de forma breve para que os leitores saibam que não é necessária uma super-estrutura para ganhar dinheiro confinando, mas é fundamental ter o mínimo necessário de cada fator. O tamanho do confinamento variará de acordo com região, tamanho da propriedade e potencial de cada criador, mas a vantagem inegável é que o espaço necessário não é tão grande, e há uma grande oferta de apoio técnico para quem quer começar já.



GERENCIAMENTO

Esta é considerada a etapa mais importante, pois os animais requerem uma metodologia de trabalho diferente, que deve ser aprendida através de cursos e treinamentos, e aperfeiçoada com reciclagem freqüente. Tanto criadores quanto tratadores e peões - mesmo os profissionais - devem sempre buscar apoio técnico e renovação de conhecimentos. O SENAR, a Emater, a Embrapa, o Instituto de Zootecnia, Cescage, Unifeob, Sebrae e a Capritec são algumas dicas de onde buscar essa renovação de conhecimento, além das associações de criadores dos seus estados ou da região. A oferta de cursos neste setor estão aumentando. Outro fator importante no gerenciamento é a aquisição de softwares de apoio. Há alguns já disponíveis no mercado, facilmente encontrados na Internet. Peça orientação aos técnicos da associação.



ESTRUTURA

Uma estrutura eficiente não requer grandes investimentos. Afinal, muito dinheiro gasto na etapa inicial pode até inviabilizar o negócio. Por outro lado, economia demais pode gerar dores de cabeça depois – o barato sempre sai caro !!!.

O ideal, se possível, é aproveitar as estruturas já existentes na propriedade, adaptando apenas o essencial e necessário. Conforto e segurança para o animal, além de higiene e racionalidade para o manejo são os parâmetros. Um aprisco seco, bem sombreado e protegido da umidade, com espaço suficiente para os animais, bem como, saleiros, cochos e bebedouros bem feitos, e uma boa limpeza são suficientes. Dimensionar bem a propriedade, portanto, é essencial.



NUTRIÇÃO

Fator preponderante no confinamento, o investimento em nutrição chega a representar 70% dos custos totais da operação. A alimentação deve ser de primeira qualidade e associar volumoso e concentrado na proporção certa, pois, os cordeiros por exemplo, são muito exigentes no aspecto nutricional. Aqui a negligencia representa perda de dinheiro... o cordeiro tem um potencial de engorda de 1Kg (carne) por cada 3Kg de alimentação (comida). As gramíneas, como o Tifton, Coast-cross e o Flora Kirk, que crescem por mudas, e também a Aruana, entre outras (capim elefante, tanzânia, colonião etc), além de pastagens de leguminosas adaptadas ao clima de cada região, tem sido bem sucedidas. Alguns subprodutos da agricultura podem ajudar na formação de uma nutrição rica e palatável. Silagem e fenação de acordo com a capacidade da propriedade, bem como a compra ou produção local de ração. A ração tem que estar presente na alimentação dos animais em confinamento. Não há fórmulas prontas, a disponibilidade da região aliada à capacidade do produtor é que determinará os meios a serem usados. No nordeste, as palmas são muito utilizadas na formação da alimentação dada aos animais confinados.

Alguns técnicos recomendam cuidado no uso da Braquiária, pois além dela ter poder nutritivo inferior, há o problema da intoxicação quando ocorre a incidência de fungos nesta gramínea quando seca.



SANIDADE

A higiene e a desinfecção das instalações, bem com a inspeção constante dos animais é essencial. Vermifugar, realizar exames de fezes constantes, vacinar os animais contra clostridióses, tétano, raiva e febre aftosa (esta apenas quando indicada pelas autoridades), separar os animais doentes, manter a limpeza das camas e o asseio do rebanho, combatendo a podridão dos cascos e a querato conjuntivite, garantirão lotes bem preparados para a venda, evitando a rejeição por parte dos frigoríficos. Todo cuidado com sanidade é pouco nesta atividade.



MANEJO

A questão do manejo agrega todos os outros fatores, e portanto não cabe uma regra específica, mas deixa-se claro que ovinos e caprinos são animais cujas exigências de manejo são diferentes dos bovinos, e os pequenos ruminantes tendem a ser mais seletivos e mais exigentes, requerendo maiores cuidados e uma presença mais constante dos olhos humanos. Com o passar do tempo cada criador desenvolve e aperfeiçoa métodos mais eficazes de acordo com sua característica, da sua propriedade e de seu rebanho, por isso, é importante estar sempre em busca de atualização.



GENÉTICA

Um dos grandes segredos do confinamento é aproveitar a heterose para acelerar o potencial de ganho de peso dos animais, e cada criador deve pesquisar o que é mais interessante para sua realidade. Segundo Mauro Sartori, do IZ, quando o assunto é cordeiro, do sudeste para cima a indicação é por uma matriz deslanada - por sua maior capacidade reprodutiva com um ciclo médio de 8 meses, e pela maior resistência aos parasitas - mas isso não exclui o uso de fêmeas com lã. Os machos podem vir de raças lanadas, especializadas em carne. Entra aí também a raça Dorper, dependendo do que se deseja produzir.

“Usando Suffolk, aumentamos o ganho de peso... com o Ille de France melhoramos a carcaça, e com o Dorper temos uma conformação e uma carcaça de boa qualidade”, esclarece Mauro.

Nas de raças compostas, como a Highland (materna) e a Primera (paterna), patentes da Rissington, um grupo de 1.000 borregas chega a desmamar 1.600 cordeiros a cada ciclo, e todas as crias de cruza com matrizes Primera vão para o abate. Enfim, opções não faltam, das mais simples às mais sofisticadas.



COMERCIALIZAÇÃO

Sem uma integração com os frigoríficos e uma rede de distribuição não é viável iniciar um trabalho. Nos estados de São Paulo e Paraná, bem como em Minas Gerais e Mato Grosso, enfim, hoje em quase todo o Brasil, diversos produtores rurais estão consorciando sua atividade agrícola com o confinamento de ovinos, a partir do apoio de cooperativas e de grupos empresariais, como por exemplo: a Rissington, a Amazon Br, a Margen Cordeiro Nobre, o Grupo VPJ, a Cooperativa Castrolanda, o Pif Paf, entre outros.

No esquema de trabalho desses consórcios, há uma garantia de compra de 100% da produção, desde que se entregue um animal padronizado. Ganha-se dos dois lados: o criador recebe apoio técnico e garantia de compra, e o frigorífico ou investidor evita os grandes custos de uma estrutura própria.



Mesmo potencial do frango...

Na Gaasa Alimentos, de Inhumas/GO, propriedade de Mario Nagao, o trabalho com ovinos ocorre há 4 anos, aproveitando a estrutura da granja de ovos que também funciona no local. O rebanho é de 4 mil animais, entre matrizes e machos, e o confinamento faz o acabamento de 250 animais em 4 divisões de tamanho. As raças usadas são: matrizes Santa Inês e cruzadas Santa Inês com Poll Dorset. Os machos são White Dorper, Dorper e Pool Dorset. Desmamam-se os cordeiros aos 50 dias e o confinamento dura entre 30 e 40 dias. A alimentação consiste em volumoso de capim Tifton 85 e concentrado de produção própria. O peso vivo médio dos animais que vão para o abate é de 33 Kg , e as entregas estão ocorrendo a cada 20 dias para a Margen - Cordeiro Nobre, devendo se tornar semanais em breve.

O galpão de manejo é no chão, e para proteger os animais da umidade há também um espaço com piso ripado. Para Cleomar Silva Barbosa, responsável pelo confinamento, a atenção maior fica no controle das verminoses: “é o calo no nosso sapato”, explica. Mas mesmo assim se mostra muito otimista com o projeto, que já está dando resultados, e com o futuro da carne de cordeiro, que ele compara a do frango no passado: “na minha opinião a ovelha tem potencial para alcançar o frango em termos de consumo. O frango quando começou era comida de rico, só grávida e gente doente comia... uma vez por mês e olhe lá !!! Acho que se aumentar o número de criadores, podemos ter o mesmo sucesso”, afirma Barbosa.



100% na ração...

A opção da Margen Cordeiro Nobre foi o uso exclusivo de rações no confinamento, estas, produzidas pela cooperativa Comigo, de Goiás. O objetivo foi facilitar o manejo e padronizar o acabamento. “A ração facilita o manejo e eu não teria como trabalhar se tivesse que fazer uma capineira e uma silagem para dar conta de 2.500 animais em confinamento. Como compro animais de diversos criadores, em qualquer fase, a ração ajuda a dar um padrão melhor para o abate. Minha ração vem com volumoso incorporado e é peletizada, o que evita problemas respiratórios nos animais”, esclarece Verena Suaiden .



Confinando caprinos...

A Capripar está desenvolvendo um projeto de confinamento de caprinos no sudoeste do Paraná, na cidade de Realeza, aproveitando o potencial da região - segunda maior bacia leiteira do estado - que é rica em subprodutos de soja e milho. O trabalho é feito com a raça Bôer, em regime de cruzamento industrial para produção de carne. Aryzone Mendes de Araújo, presidente da Capripar, explica o projeto: “formamos o Condomínio de Terminação para 1.000 animais, com capacidade para absorver até 50 animais por criador, onde o produtor pode vender o cabrito desmamado ou entregá-lo para confinar por 90 dias, cobrindo os custos, em torno de R$ 15,00 por mês, para depois receber a partir da venda do animal”. O Condomínio já está realizando os abates de avaliação para estabelecer um padrão de carcaça, e o objetivo é dar ao produtor da região uma opção de renda, além do leite e da agricultura.

Quem abate...

Representantes de frigoríficos atestam para a qualidade dos animais confinados, por sua padronização e pelas qualidades de sabor e maciez da carne, mas esclarecem sobre eventuais problemas oriundos da nutrição oferecida ou de um manejo inadequado.
Para Beno Zaterka, do Clube do Cordeiro, que fica no interior paulista, o animal confinado é o único que atende às exigências de seus clientes. “Só compramos animais confinados, pois o desmame precoce e o confinamento são importantes para o animal chegar no padrão adequado. Alguns fornecedores meus chegam a entregar cordeiros de 90/100 dias de vida, com média de 38/40 kg de peso vivo. Gostaria de orientar para que, no manejo, fossem separados os lotes de machos e fêmeas, para respeitar o espaço físico deles, e não lotar demais o confinamento, afim de não gerar brigas entre os animais, pois isso deixa hematomas na carcaça. Algumas leguminosas usadas chegam a dar gosto acentuado na carne, mas na nossa região, como o mais comum é silagem de milho com ração concentrada, não temos problemas deste tipo”, explica Beno. João Dantas, do frigorífico Baby Bode, de Feira de Santana/BA, endossa a qualidade do animal confinado, que tem uma carne mais macia e com sabor de qualidade. Ele também adverte para alguns problemas oriundos da nutrição: “temos alguns problemas com o sabor da carne de animais alimentados com cevada e levedura, e de descarte de vísceras de animais, devido à mineralização errada oferecida a eles”, adverte.


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